Geografia histórica, cidade e memória || Maiara Dias || 2019

O processo de urbanização tem se acentuado nas últimas décadas, associado,
sobretudo, à globalização e ao desenvolvimento capitalista. Dessa maneira, constata-
se o considerável crescimento de pequenos núcleos urbanos com desenvolvimento
pautado, majoritariamente, nos interesses do capital, em detrimento de princípios mais
humanos. Isso reestrutura o papel das cidades, e dificulta a preservação da paisagem
como herança cultural no processo de desenvolvimento urbano, afetando a identidade
e a memória coletiva. Essa problemática está diretamente relacionada ao contexto de
Itabatã, distrito localizado no município de Mucuri, Extremo Sul da Bahia, na fronteira
com o Espírito Santo. Nas últimas três décadas, Itabatã tem apresentado um
crescimento urbano acelerado, pautado em valores econômicos, e impulsionado pela
instalação da antiga fábrica Bahia Sul Celulose, em 1989, (hoje Suzano S.A.). Esse
crescimento acelerado desconsiderou o contexto histórico de Itabatã, que atualmente
é um pequeno núcleo urbano inserido na dinâmica econômica global. O distrito não
possui qualquer registro de sua história ou cultura, sendo esta pesquisa o primeiro
estudo acadêmico sobre Itabatã. Nesse sentido, esta pesquisa tem como objetivo
principal recompor e analisar a narrativa histórica da formação territorial de Itabatã
(BA), enfatizando os processos socioespaciais e econômicos que, ao longo do tempo,
transformaram um povoado rural em um pequeno núcleo urbano. Dessa maneira,
investiga-se a Geografia Histórica da sede de Itabatã em múltiplas escalas,
enfatizando sua recente origem, vinculada à construção da rodovia BR-101 na década
de 1960, até seu momento atual de expansão urbana, em 2019. A abordagem tem
como referência os estudos sobre território e Geografia Histórica dos autores: Abreu
(1998; 2000; 2014), Moraes (2005), Maia (2006) e Vasconcelos (2009). Devido à
escassez de informações históricas acerca de Itabatã, na metodologia foram
empregados métodos mistos, pautados principalmente na história oral. Logo, foram
realizadas entrevistas semiestruturadas com pessoas-chave, que conhecem a origem
de Itabatã; também foram coletados dados de décadas anteriores e atuais (IBGE,
SEI/Ba, IGHBa), pesquisa em instituições e bibliotecas do município, jornais locais e
da região, estudos acadêmicos, relatos de viajantes do século XIX, entre outras
fontes. A partir do levantamento e análises, foi possível elaborar a periodização e linha
do tempo, destacando-se quatro períodos principais na formação territorial de Itabatã.
Constatou-se que as principais fases de crescimento populacional e de expansão da
malha urbana estão diretamente relacionadas às etapas de expansão da produção de
papel e celulose. Também foram identificadas mudanças significativas na paisagem e
nas relações sociais. As pontuais melhorias em infraestrutura e o crescimento
econômico favoreceram a recente valorização do solo, associada à especulação
imobiliária e ao espraiamento da ocupação territorial. Por fim, foram revelados
conflitos e desigualdades, além de transformações que têm fomentado novas
dinâmicas socioeconômicas em Itabatã.

Palavras-Chave: Geografia Histórica. Memória coletiva. História oral. Crescimento
urbano. Cidades pequenas. Itabatã.

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