MULHERES E EUCALIPTO Historias de vida e resistência || Gilsa Helena Barcellos, Simone Batista Ferreira || 2007

No dia 8 de março de 2006, Dia Internacional da Mulher, duas mil mulheres da Via Campesina,
antes de o sol nascer, ocuparam o viveiro de mudas da empresa Aracruz Celulose, no Rio Grande
do Sul. E, numa ação relâmpago, com vendas de cor lilás sobre os rostos, destruíram milhares de
mudas de eucalipto. O movimento teve como objetivo chamar a atenção da opinião pública brasileira
para os impactos produzidos pelas monoculturas de eucalipto e pinus sobre o povo e os
ecossistemas locais. Tais atividades de monocultivo são conduzidas por empresas multinacionais
do agronegócio. As mulheres camponesas traduziram, no seu discurso, o deserto verde dos
eucaliptos em aridez e morte e levantaram a relação entre diversidade e fertilidade –fatores que
possibilitam a vida– e monocultura e desertificação –que representam a morte. “No dia Internacional
da Mulher, 8 de março de 2006, o Brasil assistiu– em parte, sem entender –a uma batalha histórica.
A batalha entre a fertilidade e a aridez. […] Entre a dureza do lucro sem escrúpulos e a ternura das
mães”.

 

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