Promessas de emprego e destruição de trabalho: O caso Aracruz Celulose no Brasil || Alacir De’Nadai, Winfridus Overbeek, Luiz Alberto Soares || 2005

Este trabalho apresenta e analisa dados sobre emprego e trabalho nas plantações de eucalipto
e produção de celulose para exportação no Estado do Espírito Santo, mais especificamente sobre
a empresa Aracruz Celulose, a maior do setor no Brasil. Sem a pretensão de se apresentar como um
estudo acadêmico, o trabalho é, na verdade, o relatório de uma pesquisa em que se ouviram
preferencialmente trabalhadores e trabalhadoras da Aracruz Celulose e moradores e moradoras
das comunidades vizinhas à empresa, o que ajudou a revelar também a situação dessas comunidades,
cujas formas tradicionais de trabalho sofreram alterações ou foram inviabilizadas em função da
implantação das grandes extensões da monocultura do eucalipto no Estado. Os nomes de
trabalhadores e ex-trabalhadores e sindicalistas entrevistados foram omitidos por questão de
segurança.
A conjuntura atual torna este trabalho ainda mais relevante se levamos em conta o alto índice
de desemprego no Brasil. Em 2003, por exemplo, mais de 1 milhão de pessoas ficaram sem emprego
no país. Em 2004 este índice chegou a cerca de 11,5 % da população ativa, segundo dados do
Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE). Desta forma, apenas para que a taxa de
desemprego não aumentasse seria necessário criar em torno de 1,5 milhão de empregos anuais.
Aproveitando-se da gravidade desta situação, o setor de eucalipto/celulose utiliza sistematicamente
a geração de empregos como arma para ‘vender’ seu projeto às comunidades locais e regionais, ao
Estado e à opinião pública. Mas, na verdade, os números que o setor apresenta ao fazer sua
propaganda não se confirmam nem nas suas próprias fontes.

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